ÓBIDOS 320 ANOS: O velho Estádio General Rego Barros

ÓBIDOS 320 ANOS: O velho Estádio General Rego Barros

Por Dino Priante. 

Esse era o nome do antigo estádio de futebol, que havia em frente ao Quartel General Gurjão da cidade de Óbidos. Foi palco de grandes decisões futebolí­sticas, tanto municipais, intermunicipais e amistosos, assim como desfiles militares e alunos dos colégios de nossa cidade.

Não consegui descobrir, quem foi o General Rego Barros, tem um pernambucano, General Sebastião de Rego Barros, tem outro General de Rego Barros Falcão e outros, deve ter sido um grande General do Exército Brasileiro.

O Quartel inaugurado em 1909, portanto completando 100 anos em 2009, e que em 1944, o estádio passou a fazer parte do complexo, para atender ao esporte obidense e grandes festividades.

Eu assisti diversas decisões memoráveis entre Paraense e Mariano, onde a torcida do Mariano ocupava a arquibancada esquerda da entrada principal do estádio, ou seja, o lado que fica para a Capela do Bom Jesus, e a torcida do Paraense, ocupava o lado direito, assim como área enfrente ao quartel, debaixo de alguns jasminzeiros que existiam na época; lembro que essa torcida da qual eu fazia parte, acompanhava o ataque do Paraense, caminhando í  margem do campo, muitas vezes invadindo as quatro linhas, sendo advertida pelos bandeirinhas e arbitro da peleja.

Podemos citar alguns craques, que mostraram seu futebol e sem medo de errar, jogariam em qualquer time dos mais importantes do Pará, como: Caxinga, Merunga, Juracy, Pacu, Valdir e outros.

Estava no estádio, quando o Paissandu de Belém, deu a virada em cima de um combinado obidense, pelo placar de 4 x 3, num jogo memorável, onde o time da casa não teve a experiência necessária para derrotar o adversário, apesar de estar ganhando de 3 x 1.

Nas pelejas intermunicipais, tivemos a oportunidade de assistir atuando no Rego Barros, o grande Manoel Maria da seleção santarena, depois ponta direita do Santos Futebol Clube (SP) e da seleção olí­mpica do Brasil, Arapixuna, Jeremeias, Bosco, Pão Doce, todos santarenos, que depois vieram jogar no Clube do Remo e Tuna Luso, aqui de Belém.

Disputas durí­ssimas entre as seleções obidense e a oriximinaense, havia uma rivalidade terrí­vel, numa dessas decisões, um colega nosso, hoje conceituado arquiteto, desenhou em uma cartolina um bode espocando, e foi colocado em destaque em meio a torcida obidense, isso deu muito que falar na cidade vizinha. Mas, uma peleja inesquecí­vel foi a disputada entre a seleção obidense e a alenquerense, quando aos 44 minutos do segundo tempo, o atacante alenquerense fez um gol com a mão e o juiz que também era de Alenquer, validou o gol; seleção visitante venceu o jogo por 2 x 1. Para os atletas adversários, deixarem o estádio, foi necessário convocar as forças máximas militares que havia na época em Óbidos, que eram uns três soldados do exército(Candinho, Favacho e Mario), o Paixão e o Barata eram os policias militares, o delegado que não recordo o nome, o Presidente da Liga era o Cabo Moura, esse pessoal acompanhou a delegação até a bordo da embarcação que já estava com a máquina funcionando para retornar a Alenquer, os torcedores atrás, vaiando e fazendo as gozações, outros jogavam pedras, sei que foi um sufoco.

Um dos maiores torneios do paí­s foi realizado em Óbidos, com quase 100 ou mais times, de todas as localidades do interior obidense, organizado pela PMO, na gestão do Sr. Haroldo Tavares, que para nós citadinos era um divertimento, assistir aquele pessoal jogando futebol e a garra dos mesmos.

Uma pessoa abnegada, que atuou não só como gandula, mas era ele quem demarcava o campo com a cal, pequena e grande área, marca do pênalti, colocava í s redes nas traves, e durante o jogo, trabalhava como gandula, chamava-se Antonio Cabanela, era torcedor do Paraense, enquanto isso D.Maria sua esposa, vendia guloseimas dentro do estádio durante os jogos de futebol. Portanto quero render minha homenagem a esse obidense desportista.

Um detalhe interessante, com a instalação do relógio na Matriz de Sant'Ana, dava para o jogador, controlar o tempo do jogo, porque de dentro do campo se tem uma visão plena desse relógio.

Além das disputas de futebol, a concentração e os desfiles de 7 de setembro, a leitura da ordem do dia feita pelo oficial do exército do palanque do estádio, após essas cerimônias, os alunos dos colégios, em farda de gala, saiam para o desfile pelas ruas da cidade, éramos bastante aplaudidos por onde passávamos.

Nós ginasianos, fazíamos educação física, no campo do quartel, como dizíamos antigamente, sob o comando do Sargento José Maria e Cabo Moura, quando eles faltavam, a bola rolava até as nove horas da manhã. Não sei qual o motivo, depois passamos a fazer educação física no campo de Santa Terezinha, onde acredito deve ter se transformado em praça também.

O primeiro helicóptero que vi na minha vida, foi no campo do quartel, era da marinha, estava a bordo de uma corveta, e seu comandante resolveu vir nessa aeronave até a cidade e o local apropriado não poderiam ter sido outro, vocês imaginam a quantidade de curiosos, para ver de perto a aeronave.

Mas o importante, que desativaram o campo do quartel ou estádio General Rego Barros, para transformarem na Praça do Sesquicentenário, onde os maiores eventos continuam sendo comemorados no mesmo local de antigamente, isso é muito importante.

* NOTA: Este artigo foi originalmente publicado em 15.10.2009

 

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