Livro sobre o escritor obidense Inglês de Sousa será lançado em Óbidos

Livro sobre o escritor obidense Inglês de Sousa será lançado em Óbidos

O escritor Wildson Queiroz estará lançando em Óbidos o livro “O Romancista do Baixo Amazonas” que fala sobre o escritor obidense Inglês de Sousa. O lançamento do Livro acontecerá no dia no dia 31 de agosto de 2016, na Escola Municipal Inglês de Souza, as 18h. A seguir estamos publicando um texto de Wildson Queiroz, autor da obra.

Óbidos na obra de Inglês de Sousa

Os quatro romances publicados por Inglês de Sousa, O Cacaulista, O Coronel Sangrado, História de um Pescador e O Missionário, além do livro Contos Amazônicos, buscam retratar o cotidiano da população que habitava o Baixo Amazonas no final do século XIX.

Neles, o autor destaca costumes, crenças e superstições. A maioria das histórias se passa nas zonas de várzea, no famoso Paraná-miri, onde acontecem as disputas por terras e as tramas amorosas, mas o autor não esqueceu de dar um destaque para sua cidade natal, que aparece como cenário, principalmente, nos livros O Cacaulista e O Coronel Sangrado, que narram a saga do jovem Miguel Faria que se envolve numa disputa de terras com o tenente Ribeiro, pai de Ritinha, por quem Miguel é apaixonado.

No romance O Cacaulista, o primeiro escrito por Inglês de Sousa, ao narrar uma viagem de canoa, feita pelo tenente Ribeiro com o alferes Pedro Moreira, além de alguns empregados, do sítio até a cidade, o autor apresenta-nos a seguinte descrição:

“Em breve Óbidos ofereceu um lindo panorama: acima corre o Trombetas, perto de cuja foz ficava a malfadada Colônia Militar, e abaixo da cidade uma montanha eleva-se dominando as casinhas que a cercam.

É ali o Amazonas mais estreito do que em outra qualquer parte: oitocentas e poucas braças mediam entre uma margem e outra, e a corrente rápida é, no inverno e nos dias em que há tempestade, um perigo iminente para as fracas embarcações que tentam forçá-la, e não tardaram em encostar no porto chamado de cima.”

Ao descrever a cena do casamento de Ritinha com Moreira, na matriz de Óbidos, o autor nos dá a possibilidade de viajar no tempo e presenciar o momento, imaginando a cena em nossos pensamentos, nos mostra como ficava agitado o entorno da igreja enquanto os demais lugares da cidade permaneciam completamente vazios:

“Na cidade havia coisa nova; as janelas enchiam-se de gente, os moleques atoalhavam as portas das ruas, os rapazes, as mulatas, caboclas e negras dirigiam-se em grupos para a igreja de Sant’Ana. O largo da Matriz, de ordinário deserto e silencioso, continha agora trinta ou quarenta curiosos, e na porta aberta de par em par aparecia de vez em quando a figura do sacristão, que se oferecia com impostura para mitigar a sede dos espectadores. Óbidos tinha o ar estranho das pequenas povoações em dia de festa; as lojas, onde de ordinário se reúne a gente para a palestra, estavam desertas, e abandonadas estavam todos os cantos da cidade, com exceção dos da praça da igreja.”

Nas notas destinadas a esclarecer o público sobre alguns aspectos regionais, contidas nas últimas páginas do livro, o autor apresenta uma descrição sucinta sobre sua cidade natal, além de alguns aspectos e peculiaridades regionais:

“Óbidos é uma pequena cidade da Província do Pará, situada a 180 ou 200 léguas da Capital na margem esquerda do Amazonas, a uma légua pouco mais ou menos da foz do Trombetas. Julga-se que ocupa o lugar da antiga aldeia dos índios Pauxis. Exporta principalmente cacau e peixe seco, e poderá ter até mil e duzentas almas; com um forte e um fortim, está edificada numa pequena colina, na parte mais estreita do Amazonas, que forma aí uma angustura, e logo depois abre-se, parecendo assim cercar a cidade. Óbidos foi elevada à cidade em 1854, e a comarca só foi criada em 1867, de forma que, na época em que se passa a nossa história, ainda era um termo da comarca de Santarém. O clima é seco e sadio, e é a última povoação da Província do Pará confinando com a Província do Alto Amazonas. Faz parte da Vigararia Geral do Baixo Amazonas, cuja sede é Santarém; é também pertencente ao Comando Superior de Santarém.

O Paraná-miri (Pará, mar – nhanhe (?) correr – miri, pequeno – rio pequeno) não é um rio à parte, mas o mesmo Amazonas. Chamam no lugar Paraná-miri a um furo ou antes a porção das águas que se acha apertada entre duas ilhas. No distrito de Óbidos há dois Paraná-miris principais: o de baixo e o de cima (que é o do nosso romance). Nas suas margens há sítios ou plantações de cacau.”

Ao destacarmos estes tópicos da obra de Inglês de Sousa, que também faz referências à Óbidos na obra O Coronel Sangrado, pretendemos mostrar o quanto o autor fez questão de deixar registrado o cotidiano de sua cidade natal, fazendo-nos viajar e imaginar como estas cenas teriam se passado, sua obra presenteia-nos com boa literatura e também com informações históricas relevantes sobre Óbidos e o Baixo Amazonas.

Por Wildson Quiroz

 

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