Em Óbidos, iniciativas como os projetos “Cuidando de quem Cuida” e “A Voz da Inclusão”, exemplificam esforços locais sobre o Autismo
No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado nesta quarta-feira, 2 de abril de 2025, a importância da detecção precoce do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e da inclusão escolar ganha destaque como pilares fundamentais para garantir o desenvolvimento e os direitos de crianças e adolescentes com essa condição. Em Óbidos, no Pará, iniciativas como o projeto “Cuidando de quem Cuida”, da Secretaria Municipal de Educação - Semed, e “A Voz da Inclusão”, liderado pela vereadora Clara Barbosa, exemplificam esforços locais para promover acolhimento, capacitação e inclusão, alinhando-se a um movimento nacional que busca transformar a realidade de milhões de famílias.
A Importância da Detecção Precoce
Luciana Brites, psicopedagoga e diretora-executiva do Instituto NeuroSaber, explica que o TEA é um transtorno de neurodesenvolvimento definido por déficits na interação social, dificuldades na comunicação verbal e não verbal, além de comportamentos repetitivos e interesses restritos. “Por volta dos 2 anos, a criança pode apresentar sinais como pouco contato visual, atraso na fala ou desinteresse em socializar. O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento”, afirma. Quanto mais cedo identificado, maior a chance de intervenções que melhorem a qualidade de vida, incluindo a alfabetização e a inclusão escolar.
O diagnóstico tardio dificulta o início de terapias que podem amenizar os desafios enfrentados na escola. Luciana reforça que, embora o TEA seja um espectro com diferentes níveis de suporte – do nível 1 (leve) ao 3 (severo) –, a detecção precoce permite adaptar estratégias pedagógicas às necessidades individuais. “Uma criança não verbal pode se alfabetizar, mas a dificuldade é maior. Atividades como trabalhar sílabas, fonemas e rimas ajudam a estimular a consciência fonológica”, sugere a especialista, destacando que crianças autistas muitas vezes decoram palavras facilmente, mas enfrentam barreiras em habilidades mais complexas, como compreender contextos.
Inclusão Escolar: Um Tripé Essencial
A inclusão escolar de crianças com autismo é um desafio que exige a integração de três pilares: famílias, escolas e profissionais de saúde. “Professor, sozinho, não faz inclusão. Tudo começa na capacitação do professor e do profissional de saúde”, enfatiza Luciana. No Brasil, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, instituída pelo Ministério da Educação (MEC) em 2008, reforça esse compromisso, alinhando-se à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Dados do Censo Escolar de 2022 mostram que 1,37 milhão de estudantes da educação especial estão em classes comuns, representando 89,9% das matrículas desse público, mas apenas 36% das escolas possuem salas de recursos multifuncionais (SRM), essenciais para o Atendimento Educacional Especializado (AEE).
Óbidos: Projetos que Transformam Vidas
Em Óbidos, no Pará, a detecção precoce e a inclusão escolar ganham força com iniciativas locais. O projeto “Cuidando de quem Cuida”, da Secretaria de Educação - Semed, iniciado na Escola Manuel Valente do Couto, oferece suporte às famílias de crianças com TEA e outras deficiências. Por meio de rodas de conversa, dinâmicas de grupo e palestras, a iniciativa aborda temas como saúde mental, manejo do estresse e autocuidado, fortalecendo emocionalmente os cuidadores para que possam apoiar o desenvolvimento integral de seus filhos. Em breve, segundo a Semec, o projeto deverá ser expandido para toda a rede municipal, cuidando das famílias para garantir um futuro digno às crianças.
Paralelamente, a vereadora Clara Barbosa lançou o projeto “A Voz da Inclusão”, que reuniu a comunidade obidense no início de abril para discutir direitos e políticas públicas para crianças com autismo. A primeira reunião foi um marco, envolvendo pais, famílias e parceiros em uma construção coletiva de soluções. Esses projetos refletem a necessidade de unir esforços comunitários, educacionais e de saúde, como defendido por Luciana Brites, para que a inclusão deixe de ser apenas um ideal e se torne prática cotidiana.
Desafios e Soluções
Apesar dos avanços, a realidade brasileira ainda revela lacunas. A capacitação docente e a parceria com o sistema de saúde são essenciais para identificar precocemente os sinais de autismo.
Em Óbidos, os projetos locais mostram que a conscientização e o apoio às famílias são passos concretos para superar essas barreiras. O “Cuidando de quem Cuida” e “A Voz da Inclusão” não apenas valorizam as capacidades das crianças com TEA, mas também respeitam seus limites, como propõe a campanha nacional deste ano. Assim, a detecção precoce e a inclusão escolar se consolidam como ferramentas transformadoras, oferecendo às crianças de Óbidos e de todo o Brasil a chance de um futuro mais digno e integrado.
Neste 2 de abril, o Dia Mundial da Conscientização do Autismo nos lembra que, com diagnóstico precoce, capacitação e apoio mútuo, é possível construir uma sociedade mais inclusiva.
www.obidos.net.br - Baseado na Matéria da Agência Brasil sobre Autismo