Resultados indicam influência de atividades antrópicas e possível risco à saúde em cenários de alto consumo.
Um estudo conduzido pela Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) revelou a presença de metais tóxicos em peixes amplamente consumidos na região amazônica, levantando preocupações sobre possíveis impactos à saúde, especialmente em comunidades com alto consumo de pescado. A pesquisa foi realizada no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento (PPGSND) e analisou amostras coletadas nos municípios de Faro, Juruti, Santarém, Oriximiná e Itaituba.
Foram avaliadas seis espécies de peixes, incluindo predadores como tucunaré, surubim-pintado, pirarucu e piranha, além de espécies não predadoras como aracu e acari. Os pesquisadores investigaram a presença de mercúrio, arsênio, cádmio e chumbo em dois cenários de consumo: o brasileiro, com ingestão média de 24 gramas por dia, e o amazônico, que pode chegar a 462 gramas diárias — realidade comum em comunidades ribeirinhas.
Os resultados apontaram que peixes carnívoros apresentam maiores concentrações de mercúrio, podendo ultrapassar limites considerados seguros quando consumidos com frequência. Já nas espécies não predadoras, foram identificados níveis elevados de arsênio, possivelmente associados ao contato com sedimentos contaminados.
De acordo com o pesquisador Fábio Albuquerque, um dos responsáveis pelo estudo, no cenário amazônico há risco à saúde ao longo da vida, especialmente devido aos efeitos neurológicos do mercúrio. Em algumas amostras, o arsênio também indicou potencial risco carcinogênico. Apesar disso, o estudo não afirma que os peixes estejam impróprios para consumo, mas alerta para a influência crescente de fatores ambientais que podem elevar a concentração dessas substâncias.
A pesquisa destaca que atividades humanas têm papel central nesse cenário. A mineração de ouro, especialmente em regiões como Itaituba, contribui diretamente para a contaminação por mercúrio. Já a exploração de bauxita em áreas como Porto Trombetas, em Oriximiná, e Juruti, gera resíduos que podem conter metais pesados e afetar o solo e a água. Além disso, a expansão agrícola na região — com crescimento expressivo do cultivo de soja nas últimas décadas — intensifica o desmatamento e a erosão do solo, facilitando a liberação de contaminantes nos ecossistemas aquáticos.
Mesmo municípios sem atividade mineral direta, como Faro e Santarém, são impactados por sedimentos transportados pelos rios Amazonas e Tapajós, além de pressões ambientais como queimadas e exploração ilegal de madeira.
O estudo conclui que os padrões nacionais de consumo não refletem a realidade amazônica e reforça a necessidade de monitoramento ambiental contínuo e políticas públicas específicas. A pesquisa contou ainda com parceria da Universidade de Santiago de Compostela e do Laboratório de Sanidade Animal (Larsana), ampliando a análise sobre os riscos associados ao consumo de pescado na região.
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www.obidos.net.br - FONTE: Comunicação/UFOPA