RUA MARCOS RODRIGUES DE SOUZA - PARTE I

RUA MARCOS RODRIGUES DE SOUZA - PARTE I

Otávio (Xapury) Figueira. 

As ruas Marcos, Bacuri e Alexandre Rodrigues eram conhecidas, na minha adolescência, como " paralelas da animação e da alegria", pela força da juventude que alí moravam. Eram pontos de convergência para se chegar à Praça de Sant'Ana, principal local de encontros, lazer, paqueras e namoros. A grande maioria de seus moradores era formada pelo sexo feminino; e de vários municípios da região que, buscavam, principalmente, no ginásio "São José", aprimorar seus conhecimentos.

Residência do casal Hermógenes e Domingas, local que vc ao passar levava topadas nos dedos, tal era o cuidado de olhar para as janelas da casa e verificar se o seu Hermógenes não estava na espreita para receber gozações e piadas. No descuido, entretanto, vc chutava piçarra e arrombava os dedos. A casa era bastante alegre e barulhenta, não pelo epíteto que a família era conhecida, mas pela quantidade de familiares. Recordo-me da Maria Helena, Newton (falecido), Ademir (falecido), Pacífico, Floriano (falecido),Marlene, Dorlene, Rosilene, Nicilene. No entanto, sei que tem mais duas, porém o meu "HD" falhou. A família "Curica", como era respeitosamente conhecida, tinha uma amizade estreita com a nossa família "Xapoca". Saudades de todos!

Casal Teixeira e Joca, sempre sentado na frente da casa no final de tarde. Ele com seu pijama e na cadeira de embalo, escutando ao fundo a voz grave da D. Lolita. Moravam ainda os seus sobrinhos José Leopoldo (jogou no Santos), Lauro (jogava com a gente nos corredores da ARP), Guido (foi goleiro titular do Rio Negro de Manaus) e a Lene.

Casal João Souza e Luzia (Lula) Figueira, meus tios, ela era irmã do papai Xapury e tio João era irmão da D. Cotinha. A casa já não existe mais. Só lembranças do grande quintal cheio de fruteiras. A tia Zulmira preparava o tacacá e os doces diversos que o Piranha(falecido) vendia. O dia que ele ( Piranha) não brigava na rua td era vendido. A família se completava com Walter (falecido), Enoque, Jairo (falecido), Aquiry(falecido), Ituí e Terezinha. Ontem tive o prazer de "zapear" com o Ituí, que mora em Santos, mandando-lhe fotos do "Pai da Pinga". Morava também o Donaldo, amigo inseparável do Jairo.

Casal Inácio Malcher e Juraci, seu Inácio, calmo e paciente, marceneiro, confeccionava o famoso "pião", brincadeira preferida de várias gerações. Lembro-me do filho Malcher.

Casa do seu Pidoca e D. Flora, residência bastante movimentada não só pelos filhos como também pelos netos. Mesmo criança, éramos vizinhos, nunca vi uma pessoa tão paciente como a D. Flora. Amanhecia o dia, depois de atender seu "velho", pois ele ficava em cadeira de rodas, ia cuidar do seu jardim com lindas rosas. Seu cabelo bem branco de cocó. Nunca esqueci. Na casa também moravam a neta Flora Maria ( conhecida como Folita), neto Pintão e um rapaz que acho que era do Igarapé dos Currais de nome Bezerra.
No lado oposto, o grande quintal baldio da família Figueiredo. Alí jogávamos nossa bolinha.
Na esquina com a Trav. Bom Jesus, a casa do Ruy e Ester Picanço. Casa construída, entre tantas na cidade, por meio de um programa habitacional do Banco do Brasil. O terreno era do seu Amadeu.

Logo a seguir vinha a casa da D. Pequenina, mãe da D. Nazaré Negreiros, vó da Edilsa do Gravata, Kleber e Dudu. Moraram ainda o Luis (Esquilo), a Gracilda Marinho e sua irmã Linda.

Casal Ernesto Weber e D. Quitinha, ele alemão, considerado o "médico" das crianças principalmente do interior do município. Torcedor fanático do Mariano e pertencente ao Lyons Clube. Nessa casa morou a saudosa "Tia Santinha" com seus pastéis e berlinda sem falar dos seus inúmeros "filhos".
A seguir a casa do seu José Félix e Nazaré Negreiros. José Feliz, torcedor do Mariano, jogador de Vôlei, caixa do Banco do Brasil. Maranhense que Óbidos "adotou".

A próxima casa, do mesmo lado, morou a família do Omar Conceição casado com a Marina Carvalho; o amigo Lázaro, Telmo, Luna e o Dênys. ( acho que tinha também um moleque chamado "Poeira").

Casa do seu Ataulfo e Maria com seus filhos Walda, Gerusa, Walderez, Wanderley (Piroca) e Valdelice. Tinha também uma pessoa, não recordo se era filho, que morava em Porto Velho e que tinha um filho de nome Caetano que era bom de bola. Nas férias jogava pelo Mariano.

Casal João Moraes e Cleonice, festeiros e felizes. Casa cheia! Presenciei em sua casa encontros políticos e futebolísticos. Nos anos 70, por ocasião do "Torneio Aberto do Interior" o seu time, não recordo agora se era "Canto do Rio", era que melhor se equipava. A torcida ficava apreensiva com a estreia. No ano de 1971, o Fast Clube de Manaus, Bi Campeão Amazonense, 70/71, estava na crista da onda, pois o time do seu João Moraes veio com as camisas iguais as do Fast. Delírio total! Além do casal, tinha os filhos Brígido (falecido), Adelson, Socorro (falecida), Albino (falecido), Dinho (falecido), Selma, Pedro, Santinha (falecida), Paulo e César. Será que tinha animação?

Casal Júlio e Zezé Coelho, rígidos com os filhos. Mery, bem "ruera" levava bastante ralho, ainda mais na época do carnaval. Paquerava na Praça de Sant'Ana, mas de olho no Beco do Mijo pra ver se a D. Zezé aparecia. Aí também formavam a família o Mário, Julinho, Nazaré (falecida) e Marília. A Marília era mais do meu tempo. Estudava no "José Veríssimo" e acho que no turno intermediário. Chegava em casa com o rosto avermelhado do sol. Amiga inseparável do Kleber José até nos estudos. Inteligente e super dedicada.

A seguir a residência/escola do casal Manduca/Lourdes. Já comentei em texto específico. 

Do outro lado da rua a casa da D. Nair Torres. Especialista na arte da cozinha. Pastéis saborosos, comidas diversas, berlinda, tacacá vendido na praça pela Elza, mãe do Carlinhos, que ela criava juntamente com o Chiquinho. Sim, tinha a sua filha Gegé, mãe do filho Maurício e de seu saudoso esposo Júlio Jordão. Assim que acabou o internato no "São José", vários pais, para que os filhos não perdessem os estudos, colocavam seus filhos em casa de família. Na casa da D. Nair não era diferente. Se meu "HD" não falhou a Lirisse, filha do Espanhol, morou com ela.

Na residência do seu Figueiredo (não lembro o nome da esposa dele), pais da D. Edith Aquino, moravam sobrinhos que vinham de Terra Santa para estudar, entre eles o Ademir e o Alberto. Batíamos bola na rua com piçarra e tudo.

Residência do seu Renato Viégas e D. Valdolina. A irreverência do seu Renato contrastava com a seriedade da D. Valdolina. Ele brincalhão ao extremo. Ainda mais quando o Hermógenes passava em frente de sua casa. Gostava muito do esporte. Lembro-me bem de seus filhos José (falecido), Paulo, Renato(falecido), Jorge e Evaldo.

Residência do seu Pelágio e Izelina Souza, pais da Nazaré, Manoel Eustáquio, Sant'Ana e Alexandre( do meu tempo).

A casa de canto com o "Beco do Mijo", funcionou também a oficina do seu Inácio Malcher e, depois, o comércio do seu José (Zé Pretinho).

Passando a Matriz de Sant'Ana, na esquina da Osvaldo Cruz, era o comércio do seu Filomeno/Izidora Ausier, pais do seu Nato, D. Hortência, Maria José (neta) e Cotió.

No lado oposto, o comércio do seu Sarrazin e D. Aninha. Local bastante movimentado alegre com os filhos Marlene(falecida), Maria leonildes (falecida), Diva Helena, Maria Auxiliadora, Cilene, Guilherme, Paulo, Ana, Dalva, Alba e Tânia, sem contar logicamente com os "adotivos".

Cine Trianon de Romã Pomar e D. Jandira Souza em que tenho poucas lembranças. Agora, do Cine Naomi de Kikute e D. Clara, assisti vários filmes e episódios. Nunca esqueço do seriado "Falcão".

Por último dessa narrativa, comento da residência/oficina do Seu Pedro Costa (Ferreiro) e D. Marluce. Decorriam às décadas de 40/50, quando o casal morou neste local. Família numerosa em que lutavam com dificuldades para a criação dos filhos. Seu Pedro no ofício de ferreiro e D. Marluce no trato da casa e filhos. Naquele tempo, o espírito visionário do casal "sinalizava" da importância de se mudar para um local mais adiantado a fim de proporcionar aos filhos melhor qualidade de vida com foco na educação. 
Passado um certo tempo a família se mudou para Manaus e com todas as dificuldades seu Pedro e D. Marluce conseguiram seus objetivos traçados para os filhos. Todos estudaram, se formaram e cada um seguiu sua vida, mostrando assim, determinação quando se quer vencer obstáculos. Essa família foi exemplo de que as dificuldades existem para serem superadas. E com maestria. Além do seu Pedro e D. Marluce(falecidos), completavam a família: Mariazinha, Pedro (Pedroca), Potiguar (falecido), Itoné, Raimundo Lauro (falecido), Régia (falecida e sepultada em Óbidos), Ruth, Ramen e José de Arimateia (Zequinha).

Ao se mudarem para Manaus, nos anos 60, o meu saudoso sogro Aluizio Brasil comprou a casa. Ainda na casa original morou a irmã do seu Aluizio, Ana e Xixito, com os filhos Carlos, Célio, João José (Sapo ex-goleiro do Paraense), Ana Maria, Pedro (Peroca) e Fernando. No início dos anos 70, seu Aluizio e D. Mariínha, com o objetivo de trazerem os filhos para estudar na cidade, reformou a casa. Hoje, Inês e eu compramos o imóvel e promovemos a reforma atual.

Obrigado, mais uma vez, pela paciência!

Fotos de Otávio Figueira

FOTOS....

 

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