TUDO MUDOU

TUDO MUDOU

Otávio Figueira. 

No final dos anos 70 surge no cenário musical nacional, o cantor e compositor parintinense Chico da Silva com um recheado repertório de sucessos que lhe proporcionou uma apresentação no seleto, concorrido e longevo programa dominical Fantástico da Rede Globo.

À música selecionada para essa exibição foi “Tudo Mudou” de autoria do próprio Chico, que naquela época já sinalizava as mudanças tecnológicas no instrumental, arranjos e acompanhamentos em que parte das estrofes da canção exprime:

“Mudou
Meu pandeiro de couro se modificou
O progresso da arte o plastificou
A viola de pinho se eletrificou
Tudo mudou
Mudou
Já existe uma orquestra num só instrumento
A ciência aniquila com nosso talento
E o artista é que sofre com esse advento
Tudo mudou”

Observando, porém, o momento presente em que vivemos a letra da música de então reflete bem a mudança, em todos os seus aspectos, que a humanidade experimenta nestes sombrios tempos de Covid-19.

Realmente, tudo mudou? A meu sentir, sim! Passamos por práticas jamais pensadas no nosso dia a dia, Alguém imaginou você ter que excluir de sua rotina o aperto de mão, beijo em um amigo ou familiar? Ou um abraço? Afastar-se de uma pessoa conhecida em um supermercado, por exemplo? Esconder seu rosto por de trás de uma máscara? Ou contatar os seus afins só por meio de celular? Ficar tolido no seu direito em participar na igreja, no meu caso, da Santa Missa e da Eucaristia? Parece, pois, que tudo mudou mesmo.

Por outro lado, a meu ver, há um sentimento no ar que o ano de 2020 já passou, pois até o calendário de eventos e festas se não foi cancelado, já foi transferido: festas juninas, festival folclórico de Parintins, círio e a festa da padroeira dos obidenses, Senhora Sant’Ana, no tradicional mês de julho. Comenta-se até na maior festa religiosa do Brasil o círio de Nazaré, sem falar do futebol.

Com efeito, até os cientistas, especialistas, médicos ainda não chegaram a um denominador comum acerca do tratamento eficaz para conter esse vírus chinês. Diante dessa incerteza, ficamos diariamente vulneráveis e reféns de informações macabras e destruidoras da paz, patrocinadas por emissoras de tv, por exemplo, deixando transparecer que a morte é mais importante que a vida.

Enfim, tudo mudou? Deixo essa resposta para cada um que tiver a oportunidade de ler este texto. Em minha opinião, portanto, concluo com a frase do próprio Chico da Silva: “Só Deus desse mundo foi quem não mudou”

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