Em Santarém, jardim zoológico reforça acolhimento e cuidado da fauna amazônica

Em Santarém, jardim zoológico reforça acolhimento e cuidado da fauna amazônica

Biólogo destaca papel técnico do ZooUnama na reabilitação de animais vítimas de maus-tratos e biopirataria

O calendário global dedica o mês de março à celebração da vida selvagem. Em Santarém, o jardim zoológico da Universidade da Amazônia - UNAMA, o ZooUNAMA, consolida-se como uma instituição que assumiu o papel de protetora da vida silvestre, em consequência de um longo histórico de ações. O avanço desenfreado das cidades e a biopirataria têm pressionado a fauna local, tornando o trabalho técnico de reabilitação a única chance de sobrevivência e, em casos específicos, de retorno à natureza para diversas espécies.

Para o biólogo do ZooUNAMA, Esrom Paixão, o entendimento sobre a função dos zoológicos modernos precisa evoluir. O especialista destaca que a atuação da equipe multidisciplinar, composta por biólogos, veterinários e tratadores, é o que garante que o conhecimento científico se transforme em proteção real para as espécies que ainda habitam as matas do Tapajós.

O papel primordial da instituição é recuperar e reabilitar o animal retirado de seu habitat. No entanto, o retorno nem sempre é possível. Segundo Esrom Paixão, casos como o da onça-pintada Juma ilustram essa necessidade de permanência sob cuidados humanos. "Trata-se de um animal criado desde filhote em um espaço reduzido e que não obteve os nutrientes essenciais, resultando em uma má formação óssea e atrofiamento. Com essas sequelas, Juma não tem capacidade de caçar", explica. Nestas condições, o zoológico torna-se o único ambiente seguro para garantir a vida do animal.

O processo de entrada na instituição segue critérios rigorosos. Assim que um animal chega, via resgate ou apreensão, passa por uma análise minuciosa para identificar lesões ou sinais de domesticação. "O animal permanece na área de quarentena com alimentação e reabilitação por meio de atividades estimulantes. Após a recuperação, novas avaliações determinam a soltura, nos casos de 100% de recuperação, ou a permanência, quando há alto grau de domesticação ou sequelas permanentes", detalha o biólogo.

Além do acolhimento, o zoológico funciona como um polo de produção de conhecimento. Para Esrom, os estudos científicos voltados aos animais silvestres aprimoram a atuação da equipe técnica e favorecem a formação de alunos de graduação e pós-graduação da UNAMA. Esse intercâmbio acadêmico permite uma melhor compreensão sobre a dinâmica ambiental e sobre como lidar com as particularidades de cada espécie, gerando dados que ajudam a proteger animais que ainda estão em vida livre.

Garantir a qualidade de vida de animais de grande porte exige uma logística que vai do manejo clínico ao planejamento dos recintos. No ZooUNAMA, a prioridade é minimizar o estresse e a sensação de confinamento. "Tudo é planejado com ambientação de vegetação natural, solo sem concreto e áreas de refúgio, oferecendo ao animal a opção de se isolar quando achar necessário", reforça Esrom. O objetivo é reduzir o impacto do medo causado pela saída do meio natural.

O tráfico de animais, ou biopirataria, persiste como um dos grandes vilões da fauna na Amazônia, potencializado pela vasta área de fiscalização e por questões culturais de convívio familiar com espécies silvestres. O biólogo alerta para a alta preferência por aves, como papagaios e curiós, e um crescimento recente no interesse por serpentes, como a jiboia-arco-íris e a cobra-papagaio. "O fascínio por algo intimidador e a beleza das cores vibrantes têm aumentado esse interesse", afirma.

Educação para a empatia

Como centro de educação ambiental, o zoológico foca na conscientização e educação ambiental, especialmente envolvendo as escolas. Através de visitas acompanhadas pelos profissionais, a instituição possibilita que crianças de todas as idades e demais visitantes tenham  contato visual e acesso à informação objetiva, de uma forma que os livros didáticos não conseguem sozinhos. Além de mostrar a importância de cada animal, permitindo-os criar empatia e respeito pela vida selvagem, evidenciando de forma prática as consequências negativas que a falta de conhecimento provoca na sociedade.

Com o avanço das cidades para áreas de mata, o encontro com animais silvestres em zonas urbanas tornou-se comum. Esrom orienta que, em caso de avistamentos ou acidentes de animais silvestres em estradas ou redes elétricas, os órgãos competentes (SEMMA, Polícia Ambiental, Bombeiros ou IBAMA) devem ser acionados imediatamente. "Jamais tente capturar o animal por conta própria para evitar acidentes", recomenda. O especialista conclui que o respeito à natureza é um dever diário. "Valorizar e respeitar a natureza garantirá a existência do ser humano nos próximos anos", finaliza.

Por: Henrique Britto

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