Localizado em uma das áreas mais elevadas do sítio urbano de Óbidos, um dos prédios mais emblemáticos da cidade guarda em suas paredes parte significativa da história econômica, educacional e religiosa do município. Atualmente conhecido como sede da Diocese de Óbidos, o imóvel testemunhou diferentes fases do desenvolvimento da região amazônica ao longo de mais de um século.
Construído em 1886, em estilo eclético inspirado na arquitetura europeia da época, o casarão foi erguido para servir de residência da família de Vicente Augusto Figueiredo, importante fazendeiro obidense e filho de imigrantes italianos que chegaram à região em meados do século XIX.
A construção ocorreu durante um período de prosperidade econômica para Óbidos. Naquele momento, a economia local era impulsionada pela produção de cacau, pela pecuária e pela exportação de produtos extrativos da Amazônia, como castanha-do-pará, látex e óleos vegetais. A intensa presença de imigrantes, especialmente na zona lacustre do município, contribuiu para a formação de grandes propriedades rurais e para o fortalecimento da economia regional.
Após o falecimento de Vicente Augusto Figueiredo e de sua esposa, Maria Barroso Figueiredo, o imóvel passou a ser alugado para famílias influentes da cidade e também para oficiais militares que serviam no quartel instalado nas proximidades.
Da educação à missão religiosa
Ao longo de sua trajetória, o prédio assumiu diferentes funções. No final da década de 1940, passou a abrigar o Grupo Escolar de Óbidos, transferido do prédio onde funcionava o antigo Bar Andrade. A instituição permaneceu no local até a década de 1950 e, posteriormente, daria origem à tradicional Escola José Veríssimo, uma das mais importantes da história educacional do município.
O destino do imóvel mudaria novamente com a reorganização da estrutura da Igreja Católica na região. Desde o retorno dos franciscanos a Óbidos, em 1909, a área permanecia vinculada à Prelazia de Santarém. Essa realidade mudou em 1958, quando foi criada a Prelazia de Óbidos.
Com a necessidade de instalar a nova sede administrativa da Igreja, o então prefeito Raimundo Lucas de Menezes adquiriu o casarão de Eti Bacelar — cuja esposa era integrante da família Figueiredo — e o doou a Dom Floriano, primeiro bispo da nova prelazia. A partir desse momento, o edifício passou a desempenhar um papel central na vida religiosa do oeste paraense.
A antiga Prelazia de Óbidos
Durante décadas, a Prelazia de Óbidos coordenou a ação pastoral em uma extensa área da Amazônia, abrangendo as paróquias de Santo Antônio, em Alenquer; São Raimundo Nonato, em Curuá; São João Batista, em Faro; Nossa Senhora da Saúde, em Juruti; Catedral Prelatícia Nossa Senhora Sant’Ana, em Óbidos; Santo Antônio de Pádua, em Oriximiná; e Santa Isabel, em Terra Santa.
A sede episcopal foi estabelecida na Catedral de Sant’Ana, principal templo católico da cidade e um dos símbolos da fé dos obidenses.
Além do trabalho dos padres diocesanos, a prelazia contou com a atuação de diversas congregações religiosas, entre elas a Ordem dos Frades Menores (Franciscanos), a Congregação do Verbo Divino e as congregações femininas das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus e das Irmãs Franciscanas de Maristella.
O nascimento da Diocese de Óbidos
Um novo capítulo dessa história foi escrito em 21 de janeiro de 2012. Naquela noite, centenas de fiéis participaram de uma missa campal realizada na Praça de Sant’Ana, marcando oficialmente a instalação da Diocese de Óbidos.
A criação da nova diocese havia sido anunciada em novembro de 2011 pelo Papa Bento XVI, elevando a antiga prelazia à condição de diocese. Na mesma ocasião, foi nomeado o seu primeiro bispo, Dom Frei Bernardo Johannes Bahlmann.
A mudança representou um importante reconhecimento da relevância pastoral e histórica da Igreja Católica na região amazônica, consolidando Óbidos como centro religioso de uma vasta área do oeste do Pará.
Patrimônio que preserva a memória da cidade
Mais do que um edifício histórico, a sede da Diocese de Óbidos simboliza diferentes momentos da trajetória do município. Residência de uma influente família de fazendeiros, espaço educacional e centro administrativo da Igreja Católica, o casarão permanece como um marco arquitetônico e cultural da cidade.
Sua história reflete a própria evolução de Óbidos: do período de prosperidade econômica do século XIX à consolidação de sua importância religiosa na Amazônia, preservando uma memória que continua viva para as atuais e futuras gerações de obidenses.
www.obidos.net.br - Por João Canto - Informações pesquisadas no Museu Integrado de Óbidos
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