ÓBIDOS – A  FORTALEZA SENTINELA

ÓBIDOS – A  FORTALEZA SENTINELA

HÉLCIO AMARAL.

Conta a história que no ano de 1695, o português Manoel da Mota Siqueira, por concessão do governo da colônia, recebeu a incumbência de construir duas fortalezas no médio amazonas; uma no Rio Ituqui, próximo a missão dos Tupaiu de Nossa Senhora da Conceição, fundada em 22 de junho de 1661, no rio Tapajós e a outra no Morro da Ariramba, localizada a leste da referida missão, onde os padres jesuítas desenvolviam um grande trabalho missionário aldeando  centenas de nativos, principalmente das tribos Tapajó e Mundurucu.

Antes de darem início a construção da fortaleza do Rio Ituqui, o conselho militar da colônia, atendendo orientação do valente Pedro Teixeira, verificou que o Rio Ituqui não era local estratégico que merecesse uma fortaleza e determinou que essa fortaleza fosse erguida no estreito do Rio Amazonas, local onde estavam localizados os nativos Pauxi visto sua estratégica localização, pois havia necessidade de regularem a passagem de navegadores a montante do rio.

Assim, em 1697 foi inaugurado o forte dos Pauxi, com peças de artilharia de grosso calibre, montados em pedestais fixos não oferecendo a esperada eficiência por não conseguirem alvejar as embarcações que navegavam junto a margem direita do rio. Esse forte deu origem a fundação da missão dos Pauxi de Nossa Senhora Santana.

A fortaleza dos Puxi passou a ser ponto importante para os navegadores do Rio Amazonas.

O forte que inicialmente foi instalado na frente do morro, mais tarde foi transferido para o platô, com instalação de peças de artilharia mais modernas e mais possantes montadas em cavaletes móveis,  ficando  o local do antigo forte como posto de fiscalização, onde as embarcações tinham a obrigação de solicitar permissão para seguir vigem.

Desde os primórdios da colonização, foi mantido o receio da invasão do território amazônico, pois, as informações levadas pelos viajantes cientistas sobre as riquezas encontradas na flora, na fauna e no solo, algumas de maneira fantasiosa, aguçava a cobiça do mundo sobre a Amazônia.

Passou-se o ciclo das drogas do sertão com a abundante e valiosa coleta de puxuri, cravo, baunilha, balsamo de copaíba, tabaco, mixira, manteiga de ovos de tartaruga, anil, urucu, canela, peles silvestre, pirarucu seco, estopa de morrão, cuias pintadas e o cacau que já iniciava seu cultivo nos férteis terrenos de várzea da calha do rio amazonas.

Com o aumento da oferta do cacau cultivado pela maioria das missões da Amazônia, os europeus trocaram o vício do vinha pelo vício do chocolate causando verdadeiro frenesi na  tradicional e aristocrata sociedade do velho mundo, onde as fórmulas da mistura do chocolate com baunilha e outros produtos foram mantidas em segredo por poderosas famílias que enriqueceram com a venda do produto como a fórmula usada pelo Médice.

O ciclo do cacau foi o mais importante ciclo econômico da Amazônia e teve seu plantio de várzea iniciado em l667, pelo padre João Felipe Betendorff, fundador da missão dos Tapajó de Nossa Senhora da Conceição.    

Foi no apogeu deste ciclo que o governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado visitou a fortaleza dos Pauxi em 1754 e a elevou a categoria de vila com o nome de Vila de Óbidos.

 Em consequência da grande produção de cacau, mais tarde, foi instalado uma alfândega e três consulados, Português, Frances e Italiano, possibilitando a exportação do produto diretamente ao exterior, sem a necessidade de receber autorização na cidade de Belém.

A fortaleza de Óbidos continuou cada vez mais importante e ai veio a ciclo da borracha que foi acelerado com a permissão da navegação motorizada iniciada em janeiro de 1853. Com o trepidante comércio da borracha, a Amazônia passou a ser a local mais cobiçado do planeta; a capital Manaus ostentando a maior renda per capta, onde havia o  maior consumo de diamante no mercado mundial, chegando a superar, por alguns aspecto, a cobiçada Paris, sendo cognominada de ¨Paris da América. Foi nesse momento que as autoridades brasileiras, já no período republicano, temendo que Manaus corria o risco de uma invasão internacional, elaborou um desafiante projeto e decidiu construir uma moderna fortaleza dotada de possantes canhões,  utilizando o alto da Serra da Escama para abrigar os canhões crupe, de fabricação alemã, com alcance de dez mil metros e movimentação vertical e direcional, construir um quartel, residência para os oficiais e instalar uma unidade militar com oficiais de alta patente e um efetivo de mais de 200 homens, número suficiente para manter uma vigilância permanente diuturna.

A cidade recebeu uma infraestrutura capaz de elevar o IDH com a instalação do serviço de energia elétrica obtida pelo funcionamento de Caldera a vapor, água encanada possibilitando um melhor conforto, pois, Óbidos recebia projeto arquitetônico de primeiro mundo com banheiros internos ao nível das mais requintadas residências da Europa e para isto construíram uma casa de bomba acionada por caldeira a vapor, localizada no porto de cima para transportar o precioso líquido ao reservatório localizado na parte maia alta da cidade,  ao lado das residências dos oficiais, (nos fundos da capela do BOM JESUS). Verificando que a água do rio amazonas continha muito material em suspensão e que sua  sedimentação prejudicaria\ a qualidade para o consumo, resolveram construir próximo ao rio um fosso com dois metros de diâmetro, com profundidade superior ao nível deste, a fim de receber água filtrada através de vasos comunicantes.

Em torno desse fosso ergueram, em alvenaria de tijolos, uma proteção em forma cilíndrica, com uma abóboda,  ao qual as gerações conhecem o quase monumento pela carinhosa denominação de CABEÇA DO PADRE

Óbidos foi a primeira cidade da Amazônia, entre Belém e Manaus, que teve luz elétrica e água encanada.

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