Abril, um mês com muitas datas a comemorar

Abril, um mês com muitas datas a comemorar

Prof. Carlos Vieira. 

No decorrer do mês de abril, o povo brasileiro tem duas datas cívicas a comemorar, o dia 20, historicamente tido como o dia do Descobrimento do Brasil e o dia 21, a morte de Tiradentes, nosso primeiro herói nacional.

Porém, nós obidenses vamos mais além, no dia 08 estará completando 162 anos do nascimento do escritor José Veríssimo Dias de Matos, considerado um dos mentores da fundação da Academia Brasileira de Letras – ABL, ocorrido no dia 20 de julho de 1897 na cidade do Rio de janeiro, onde ocupou pela primeira vez a cadeira de nº 18, tendo como patrono, João Francisco Lisboa (jornalista, Dep. Provincial, historiador e escritor brasileiro, nascido em Pirapemas, Estado do Maranhão).

O imortal José Veríssimo Dias de Matos, nasceu no município de Óbidos, no dia 08 de abril de 1857. Era filho do Tenente Dr. José Veríssimo de Matos e de D. Ana Flora de Matos. Ele (Dr. Matos), nascido na Fazenda Cachoeirinha, em Mangaratiba município do Rio de Janeiro, filho de um rico cafeicultor. Ela, D. Ana Flora da Piedade, de família humilde, natural da cidade de Sêrro, Estado de Minhas Gerais.

Dr. Matos, foi nomeado médico da Colônia Militar de Óbidos, no ano de 1856. No ano seguinte, nasceu seu filho, que foi batizado na capela da Colônia Militar - onde possivelmente tenha nascido - pelo Padre Raimundo Sanches de Brito, com o nome de José Clemente Dias de Matos, que segundo Veríssimo (1966, p. 27), nome este dado em homenagem a “José Clemente Pereira, português, formado em Coimbra [...] Presidente da Câmara Municipal que tinha o nome oficial de Senado da Câmara[...] cabe a ele, como Presidente do Senado da Câmara ir à frente da Procissão que parte da Igreja do Rosário (onde estava instalado o Senado da Câmara) e vai entregar a D. Pedro I o Abaixo-Assinado que Poli Sampaio havia redigido, pedindo ao Príncipe que permanecesse no Brasil. É o dia do Fico”. Segundo ainda Veríssimo (1966, p. 27) “Mas ainda muito moço (a partir de 14 anos), José Veríssimo substituiu o nome Clemente pelo Veríssimo, em homenagem ao pai”.

Aos oito anos, o menino José Veríssimo deixou sua terra natal, e foi dar continuidade de seus estudos na cidade de Manaus, levando consigo as lembranças do lugar em que nasceu. Essa demonstração de amor e saudade, está presente em uma carta enviada a sua mãe, da cidade do Rio de janeiro, cujo trecho, transcrevo na integra, “Não faz ideia das saudades que tenho daqueles nossos passeios pelos igapós, do assaí, do tucupi, do tacacá, do vinho de cacau e de tantas outras coisas com as quais me criei.” (Veríssimo, 1966, p. 27)

Em 1867, segue com seus pais para a cidade de Belém, onde conclui o curso primário. Sendo que o secundário, é cursado na cidade do Rio de Janeiro, e em seguida, ingressa na Escola Politécnica, para cursar Engenharia. No entanto, devido a problemas de saúde, abandona o curso e retorna a cidade de Belém. A partir de então, começa a se dedicar a literatura e escrever as obras que o imortalizaram.

No ano de 1884, fundou o Colégio Americano, onde conheceu a professora Maria Elói Tavares, que viria ser sua esposa com quem teve sete filhos.

Em 1891, entrega o cargo de Diretor de Instrução Pública do Pará, por não concordar com ordens recebidos do Governador, para a contratação de pessoas não capacitadas para exercerem a profissão do Magistério, e segue com sua família para a cidade do Rio de janeiro, onde funda a Revista Brasileira e passa a ter como colaboradores homens das mais diversas correntes e de reconhecida intelectualidade, tais como: Machado de Assis, Afonso Arinos, Araripe Junior, Capistrano de Abreu, Emilio Goeldi, Joaquim Nabuco, Visconde de Taunay, entre outros.

Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, juntamente com outro obidense, o Dr. Herculano Marcos Inglês de Sousa. As reuniões preparatórias foram realizadas na sala da Revista Brasileira, fundada pelo próprio José Veríssimo. Segundo Veríssimo (1966, p. 103), “A sugestão foi de Lúcio Mendonça. Sugestão que continha, no fundo, o desejo de continuar aqueles encontros, aquelas tertúlias, aquelas preocupações espirituais dos colaboradores da Revista, em coisa mais permanente.”

É considerado um dos maiores críticos literários brasileiros, fato este que lhes levou a amizade com vários políticos influentes de sua época, entre eles, Governadores e Presidentes. O Presidente Floriano Peixoto, o nomeou como Reitor do Externato do Ginásio Nacional; com a posse do Presidente Wenceslau Braz, Veríssimo que é um grande defensor e entusiasta  da educação, dirige-se ao Presidente em carta aberta, fazendo um apelo por uma educação que leve o homem a exercer sua cidadania plena, “A educação nacional, de há muito e cada vez mais convencidamente o penso, é a questão capital, a questão suprema, que nos cabe encaminhar com sabedoria se deveras queremos dar a nossa democracia o sólido fundamento de um povo esclarecido, Se não, esta será apenas o simulacro da República, onde a massa popular ignora, inconsciente de seus deveres e direitos cívicos ou indiferente a coisa pública, continuará a ser a matéria inerte na mão dos políticos profissionais que tem sido.

Nasce de cima a corrupção dos povos, E, justamente, num povo como o nosso, que se mira sempre no governo, é que precisa este exercer a sua função de educador com a mais exata consciência dela e o máximo escrúpulo” ... (carta publicada no livro José Veríssimo visto por dentro, retirado um pequeno trecho)

Lendo parte de um relatório publicado pelo então Ministro da Guerra do Império, Sr. Luiz Alves de Lima e Silva (Duque de Caxias), onde afirma existir na colônia Militar de Óbidos, cerca de 60 residências, incluindo a do diretor e do médico, e a cópia do batistério adquirido junto a Paróquia de Óbidos, acredito que nosso imortal tenha nascido na Colônia Militar, lugar este localizado entre a entrada do Lago Arapucu e o Lago Quiriquiri, neste Município. Porém, este assunto deixo para uma próxima oportunidade.

Devido a grandeza de suas obras e profissionalismo, procuramos relacionar algumas obras e cargos ocupados por esse obidense ilustre, que muito engrandeceu e dignificou o nome de sua saudosa terra natal. Dados estes que certamente servirão para pesquisas e aprimoramentos dos conhecimentos de estudantes, professores e demais cidadãos e cidadãs interessados no assunto: escritor, jornalista, crítico literário, professor, Reitor do Externato do Ginásio Nacional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, etc. Entre suas obras, destacam-se: Cenas da vida amazônica, 1886; A educação nacional, 1890; A Amazônia, 1892; A pesca na Amazônia, 1895; A instrução pública e a imprensa, 1900; Historia geral da civilização, 1916, etc.

Como homenagem póstuma, e em forma de reconhecimento por ter levado o nome sua terra natal aos mais longínquos rincões do território nacional, seu nome condecorou a Escola Municipal José Veríssimo, a Casa de Cultura e uma Praça localizada na frente da cidade de Óbidos.

No dia 10 do mês em curso, estará completando 112 anos do nascimento do militar, advogado, folclorista, poeta, ensaísta, compositor, fotógrafo e membro e Presidente da Arcádia Iguaçuana de Letras, o escritor Francisco Manoel Brandão.

Era filho do Professor José Praxedes Brandão e da professora Clara Ferreira Brandão, naturais do Estado do Ceará.

 Passou sua infância, sua adolescência e parte de sua juventude em sua terra natal, o qual demostra todo o seu amor expresso nas páginas de saudades, e conta suas peraltice em seu livro Terra Pauxi, inspirado em suas lembranças de menino que o acompanharam por toda sua existência.

Em sua extensa biografia, destacamos: Oficial Intendente do Ministério da Guerra; funcionário do Ministério da Agricultura; Diretor do Departamento de Administração do Serviço de Assistência e Previdência Social; membro e Presidente da Arcádia Iguaçuana de Letras; membro da Expedição de Marechal Rondon; membro do Serviço de Proteção ao Índio; fundador da Biblioteca Falada na Baixada Fluminense e da Casa da Mãe Pobre.

Autor de muitas peças teatrais, entre elas, merecem destaques:  Auto das Pastorinhas; Auto da Burrinha e da Ema; Os caboclinhos.

 Entre suas obras literárias, damos ênfase a Terra Pauxi, publicada no ano de 1955 e que tem como finalidade, prestar uma homenagem ao centenário de elevação da Vila de Óbidos a categoria de cidade, fato este expresso nas palavras carinhosas e saudosas do autor: “Gostaria neste dia tão significativo, de poder abraçar-se, ungir-te com as lágrimas de minha saudade, da minha alegria, da minha gratidão. Estimaria beijar-te o chão onde os meus pés aprenderam a caminhar; beber-te na concha das mãos a água dos rios, das fontes, dos lagos, dos igarapés; pescar e banhar-me no grande RIO-MAR como outrora eu fizera na infância e na juventude, desafiando as correntezas, os rebojos de funil, as paraíbas gulosas e voltando de bubuia nos doces favores do remanso!

[...] Se os fados não me permitiram tocar, no dia de teu centenário, o chão que me ensinaste a caminhar, não esqueças que eu jamais a esqueci a

Minha formosa PAUXI!

Querida terra natal!”

Encerrando minhas homenagens as datas comemorativas de abril, é mister ressaltar o dia 10 de abril de 1957, quando a Paróquia de Óbidos criada no ano de 1758, recebe do Papa Pio XII, através da Bula Papal Cum sit animorum o status de Prelazia, que teve como primeiro Bispo Prelado, Dom Floriano Loewenau, a partir de então, desligando-se da Prelazia de Santarém, o qual estava subordinada como Paróquia desde 1903, e iniciando um prodigioso trabalho espiritual e social, que a levou a condição de Diocese no ano de 2011.

* Professor Especialista Carlos Augusto Sarrazin Vieira

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