"Fortaleza Gurjão" 100 anos de abandono

"Fortaleza Gurjão" 100 anos de abandono

A Fortaleza Gurjão, em Óbidos – Pará está localizada no alto da Serra da Escama, a 81m de altura, em seu pico com vista panorâmica para o Rio Amazonas. Em 1908, foram iniciadas as obras de construção da fortificação com objetivo de “Defesa Geral do Rio Amazonas”. Neste mesmo ano (1908) ficou montada a bateria, denominada, posteriormente, de “Defesa Gurjão”, pelo então Inspetor da extinta 2ª Região de Inspeção Permanente.

Esta fortificação, consiste numa bateria, à céu aberto, com 4 canhões “Armstrong”, retirados do navio escola “Benjamim Constant”, montados em reparos, e, era guarnecida por um destacamento da Fortaleza de Óbidos, conhecido como Quartel de Óbidos.

A Fortaleza Gurjão é um Patrimônio Cultural que guarda em si referências à identidade e a memória do povo obidense há mais de 100 anos. É um ícone dos obidenses, que representa um passado e que permite a interação com o presente formando a identidade de nosso povo. A sua estrutura básica e os canhões ainda existentes são prova desse passado, porém totalmente abandonados e se não cuidarmos, ficará somente em nossas memórias.

A importância de conservar a Fortaleza Gurjão como patrimônio cultural obidense, está no fato desta se constituir registro material de nossa história, da forma de pensar e sentir de nossa comunidade em determinada época e lugar, um registro de nossa memória, dos saberes, das técnicas e instrumentos que foram utilizados em sua construção.

Visitar a Fortaleza Gurjão é voltar ao passado. Imaginar como aqueles canhões tão pesados chegaram ali. Como era feito a sua manutenção? e que pessoas manuseavam instrumentos tão modernos para a época?. Enfim, esta e outras informações históricas precisam ser repassadas às novas gerações.

Sempre quando vamos a Óbidos visitamos a Fortaleza Gurjão e registramos algumas imagens que nos deixaram entristecidos de ver esse Patrimônio Cultural estar sendo destruído pelo tempo, pelas pessoas que as visitam e pelo sucessivo descaso dos Governos Municipais ao longo do tempo.

“A destruição dos bens herdados das gerações passadas acarreta o rompimento da corrente do conhecimento, levando-nos ao esquecimento das experiências já vividas”, afirma LeGoff (1990). Portanto, a preservação e conservação da Fortaleza Gurjão é de imperiosa importância e de urgente decisão, não só para resgate da memória e da história do povo obidense, como também para o turismo e fonte de renda desse povo que tanto ama seu torrão.

Preservação e conservação

Segundo Medeiros (2010), a preservação de um patrimônio engloba, de maneira mais ampla, todas as ações que beneficiam a manutenção do bem cultural. Portanto podemos considerar ações de preservação até mesmo as leis criadas para garantir a integridade do patrimônio, os mecanismos para viabilizar a realização de projetos de restauração e o cuidado com o meio ambiente que circunda o local. Enfim, todas as ações que colaboram para garantir a integridade do bem que se deseja preservar.

A conservação visa interromper os processos de deterioração, conferindo estabilidade à obra. Para esse fim, atua sobre os aspectos que cercam e influenciam a conservação do objeto, controlando os agentes que podem provocar a deterioração do bem cultural, como os biológicos (cupins, fungos, etc.), atmosféricos (temperatura e umidade), luz (natural, artificial), poluentes e o ser humano (manuseio, acondicionamento e transporte inadequados, vandalismos e roubo). Ao atuar diretamente na obra, enfocará a estabilidade da peça a ser conservada, buscando resolver seus problemas estruturais e recuperando sua integridade.

Por João Canto

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