Especialista explica como o clima e o desequilíbrio ambiental levam serpentes, escorpiões e aranhas para perto das casas
Com a chegada do período chuvoso no Baixo Amazonas, o cenário ambiental muda drasticamente. A água invade tocas e igarapés, forçando animais a buscarem novos abrigos. Segundo o biólogo, herpetólogo e gestor do ZooUNAMA - zoológico da UNAMA Santarém -, Hipócrates Chalkidis, esse deslocamento é uma tentativa de sobrevivência.
“Serpentes, escorpiões e aranhas buscam terrenos mais altos, áreas secas e locais com oferta de alimentos e esconderijos. Eles encontram isso próximo às casas e em quintais com entulhos ou criação de animais”, destaca.
Muitas pessoas tentam identificar se uma serpente é venenosa por características visuais, mas o biólogo é enfático: não existe regra 100% segura. “Cor e formato da cabeça podem enganar. Há espécies não peçonhentas que imitam as peçonhentas. Portanto, considere qualquer uma como potencialmente perigosa e mantenha distância”, alerta.
Dentro das casas, o perigo se esconde em locais escuros e secos. Em Santarém, é comum encontrá-las em sapatos, ralos, atrás de móveis, entulhos e forros. Já em áreas de várzea, o cuidado deve ser redobrado com palafitas, redes, roupas guardadas e madeira empilhada próximo a galinheiros.
O perigo dos mitos caseiros
Práticas como usar querosene, fumo ou fazer torniquetes são extremamente perigosas. “O torniquete pode causar necrose e amputação. E cortar ou sugar o veneno não funciona e piora o quadro. O tempo perdido tentando ‘tratar em casa’ agrava o envenenamento. A única conduta eficaz é ir imediatamente ao serviço de saúde”, reforça Chalkidis.
No caso de uma picada, a recomendação é manter a calma e lavar o local apenas com água e sabão. O membro afetado deve ficar em repouso enquanto a vítima é levada ao hospital. Em Santarém, o Hospital Municipal é a referência para o atendimento com soro antiofídico.
“Limpeza biológica”
Para tornar o ambiente menos atrativo, o especialista recomenda retirar entulhos, manter o quintal roçado e limpo, deixar o lixo fechado para controlar roedores e sacudir roupas e sapatos antes de usar. “Menos abrigo e menos alimento resultam em menos animais”, pontua.
O animal não ataca, ele se defende
Ao dar de cara com um animal peçonhento, a orientação é manter distância e não tentar capturar ou matar, o que só aumenta o risco de acidente. O ideal é acionar o Corpo de Bombeiros ou órgãos ambientais. Apesar do perigo, essas espécies são peças-chave para a natureza.
As serpentes controlam populações de roedores e as aranhas e os escorpiões regulam os insetos. “Sem esses predadores, teríamos explosão de pragas e mais doenças. Eles não são vilões, são reguladores naturais da floresta”, finaliza o gestor do ZooUNAMA - zoológico da UNAMA Santarém.
POR: Henrique Britto