Iniciativa da AOMTBAM em parceria com a MRN reuniu produções de Oriximiná, Terra Santa e Faro, marcando a entrega de novos instrumentos de autonomia e visibilidade e lançou ferramentas digitais para mulheres do Baixo Amazonas
O cheiro do tucupi fresco, a textura da farinha de tapioca e o brilho das biojoias artesanais deram o tom no espaço do Mineração Esporte Clube (MEC), no distrito de Porto Trombetas, em Oriximiná, oeste paraense. A Feira Empreendedora do Rede de Mulheres Empreendedoras Amazônidas (REMA) marcou o encerramento de um ciclo de conquistas em 2025, transformando o local em uma vitrine da força produtiva feminina de Oriximiná, Terra Santa e Faro. Realizada pela Associação das Organizações das Mulheres Trabalhadoras do Baixo Amazonas (AOMTBAM) em parceria com a Mineração Rio do Norte (MRN), a ação celebrou o protagonismo de quem faz da economia uma ferramenta de direitos.
Ao longo de 2025, o projeto movimentou um investimento de pouco mais 770 mil reais, impactando diretamente mais de 650 mulheres em cerca de 30 comunidades. “Festejar esse momento com as mulheres é uma força que vem do movimento social e dessa luta constante que a AOMTBAM tem com as mulheres do Baixo Amazonas”, destacou a presidente da associação, Lenivalda Xavier. Para ela, o evento foi de suma importância por consolidar um trabalho que começou na base. “A feira já começou dando certo, com as mulheres empreendedoras realizando suas vendas. É levar para frente o sucesso com as nossas mulheres”.
Da subsistência ao mercado
Para muitas participantes, o REMA foi o divisor de águas entre a produção para o consumo familiar e a geração de renda. Beane Leal Marques, merendeira concursada e moradora de Faro, viu sua realidade mudar após as capacitações. Hoje, ela produz farinha, tucupi e doces com foco na comercialização. “Antes a gente já produzia, só que era só para o consumo, só para a nossa família em casa. E hoje a gente já está tendo a oportunidade de vir trazer aqui na mineração”, relata.
Beane destaca que o impacto foi além do financeiro, atingindo a autoestima e a autoconfiança. “Através do REMA, eu aprendi que a gente tem que se amar. Se fosse pelos nossos esposos, nós não estaríamos aqui, mas nós acreditamos na nossa força e no nosso potencial”, garante a empreendedora.
Sentimento compartilhado por Ozerina Silva, de Terra Santa, que há dez anos atua no movimento associativo. Ela conta que, por meio dos cursos de culinária e corte e costura, os grupos locais conseguiram se qualificar para editais de fomento. “A nossa intenção é continuar, a gente quer crescer cada vez mais. Principalmente nós, mulheres, que queremos ganhar nossa independência financeira e ser respeitadas. Unidas, nós vamos cada vez mais longe”, afirma Ozerina.
Legado e Inovação
A parceria estratégica com o setor privado tem sido fundamental para garantir que o projeto alcance os centros urbanos e as comunidades ribeirinhas e quilombolas. De acordo com a gerente do Departamento de Relações Comunitárias da MRN, Elessandra Corrêa, a iniciativa está alinhada aos pilares de ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa) da empresa.
“Identificamos através dos nossos diálogos sociais permanentes que há um potencial muito grande das mulheres nas comunidades. Quando você promove a equidade de gênero, você desenvolve mulheres e deixa um legado na região”, explica Elessandra.
O evento também foi palco de lançamentos que prometem modernizar a gestão do trabalho no território: a Vitrine Digital, plataforma que dará visibilidade global aos produtos da rede, por meio do site institucional da associação, e o Diagnóstico Territorial, levantamento detalha as especificidades socioambientais das mulheres da região, o que permitirá o aprimoramento de ações futuras, junto às comunidades. O sucesso da feira foi percebido também pelos consumidores locais, como o técnico em geotecnia Leandro Santos. “É muito importante a comunidade vir prestigiar esse evento. É um incentivo tanto para a economia da região quanto para conhecermos produtos regionais que muitos aqui em Trombetas ainda não conhecem”, avaliou.
Projeto REMA
O projeto Rede de Mulheres Empreendedoras Amazônidas (REMA) atua como um instrumento de fortalecimento do protagonismo coletivo no Baixo Amazonas. Em 2025, a iniciativa selecionou 20 propostas para fomento e capital semente acompanhado de mentoria para as mulheres selecionadas, além de oferecer assessoria técnica, jurídica e contábil para 16 associações e coletivos. Com foco em qualificação técnica e formação política, o projeto prepara o terreno para 2026 com o objetivo de ampliar o alcance das ações e garantir que a autonomia financeira seja uma realidade permanente para as mulheres da floresta.
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FONTE: Comunicação/MRN – Por: Henrique Britto