Por Otávio Figueira.
Ainda no século XX os fatores socioeconômicos da nossa cidade eram auspiciosos com ênfase preponderante no agronegócio, especificamente no tocante a criação de gado; exploração de castanha, juta, copaiba, cumaru, madeira(era liberada)entre outros produtos.
Concomitantemente a essa força de produção, Óbidos, depois de Santarém, agregava pessoas de municípios circunvizinhos que aqui procuravam principalmente o setor educacional.
Paralelamente, porém, a essa " "febre" desenvolvimentista o lazer, especialmente a dança, fazia e faz parte do entretenimento da comunidade, fato alvissareiro que perdura até os dias atuais. Não à toa recebeu o epíteto de "povo festeiro".
Particularmente, minha adolescência foi contemplada com uma grande variedade de espaços físicos próprios ou adaptados, a fim de atender os genuínos "pés-de-valsa".
A propósito, recordo bem o clube "Chuva, Xangaio, Salão Paroquial, Garagem , Vascão, Copacabana, Luiz Sapo, SEO(Sindicato dos Estivadores), Miguel Pereira, bar do seu Odenor Nunes, clube Mariano(hoje Museu), entre outros. É importante lembrar ainda das tertúlias dançantes nas residências dos saudosos Otacílio Picanço, Alcides Siqueira e Antônio Sena Santarém(ex-prefeito municipal).Contudo, dois ambientes chamavam atenção pelas suas peculiaridades e exigências.
Na Cidade Nova a boate "Laguna Azul", que além da dança, disponibilizava aos seus assíduos frequentadores "algo mais" que, conforme o caso ou aventura" você sairia do "céu ao inferno" ou vice-versa.
No Centro da cidade, porém, o salão de festas mais conhecido na região, que ainda hoje sobrevive não ao glamour de ontem, mas a melancolia de ver a parte física se depauperando, ano após ano.Trata-se, pois, da ARP (Assembleia Recreativa Pauxis), em que, diga-se de passagem, suas diretorias primavam na realização e organização de magníficos bailes que marcaram tempo na sociedade obidense. No entanto, seu estatuto social era por demais rigoroso na seleção de membros que, a turma do tradicional "sereno" o rotulava, sem piedade, em alusão ao Regime Militar de então, que para fazer parte do grupo associativo tinha que passar pelo crivo do "SNI" (Serviço Nacional de Informações).
Por fim, certa vez conversando com meu saudoso padrinho, Dr. Francisco Grijalva, que fora também presidente da ARP nesse período passado, para entender melhor o por quê do método elitista e segregador? Respondeu-me sem pestanejar, que grande parte era consignado aos militares do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, quando serviram o Exército em Óbidos, pois os familiares não se relacionavam satisfatoriamente com a coletividade, tanto que fundaram um clube próprio chamado "Amazônia", nas mediações onde está edificado o supermercado Progresso/família Ferreira. Entendo, sobremaneira, que faz sentido.
Portanto, devido a versatilidade na programação do "Salão Paroquial" em oferecer peças teatrais, shows e festas dançantes memoráveis para a população em geral,
observou-se o início de um "agrupamento social" em que todos brincavam e se divertiam juntos e misturados, eliminando desta forma o "apartheid" (separação/segregação) dos obidenses ao menos nas celebrações festivas.