Por Otávio Figueira.
No final da década de 60 e início dos anos 70, nossa Óbidos passou por mudanças radicais principalmente na política em três escalas: municipal, estadual e federal.
Simultaneamente ao aquecimento da economia local puxado pelo agronegócio, houve a conquista do tricampeonato mundial de futebol pelo Brasil com a posse em definitivo da taça "Jules Rimet".
No entanto, o assunto mais palpitante e comentado nos quatro cantos da cidade era a eleição direta para prefeito municipal e as promessas de desenvolvimento vislumbradas por todos os munícipes.
Na contenda eleitoral, porém, dois candidatos se apresentaram: Francisco Savino (Titilo, In Memoriam), representando os eleitores mais experientes e de idade mais avançada. Era o que se comentava; e Haroldo Tavares (In Memoriam), como alternativa da juventude.
Enfim, concluída a eleição, a vitória, com certa surpresa, pertenceu ao Haroldo, colocando em prática excelente administração, alicerçada no profícuo trabalho implementado nas áreas educacional e de infraestrutura, por exemplo, que realmente furou a bolha da comunicação e divulgação restrita até então intramuros, colocando Óbidos desta feita no centro das atenções governamentais.
Nesse compasso de espera com a transformação do município em Área de Segurança Nacional, a eleição para prefeito passou a ser indireta (nomeação) tendo como gestor na fase inaugurativa o Sr. José Carlos Ferrari (In Memoriam), pelo período de 8 anos consecutivos.
Com o passar do tempo, contudo, o tal sonhado progresso foi arrefecendo e,
Infelizmente, ainda aguardamos a estrada Óbidos X Suriname e o porto de escoamento da bauxita, pois perdemos politicamente para Oriximiná.
Por outro lado, tivemos, sim, incrementos e mudanças qualitativas na cidade com a parceria política do Coronel Édson Bonna que, salvo engano, conquistou 3 mandatos de Deputado Federal focado no famoso "camburão de votos" da população.
Entre os benefícios atendidos estão a instalação do Campus Universitário "José Veríssimo", vinculado à Universidade Federal Fluminense/RJ. Foi, sem sombras de dúvidas, o melhor período em que o povo obidense foi otimamente assistido em se tratando de saúde de qualidade.
Outro ponto importante a evidenciar, foi a interação, por meio do esporte, entre às comunidades da zona rural e zona urbana quando da criação do "Torneio Aberto do Interior", em1970/71.
Momento insólito em que uma quantidade significativa de clubes se deslocava por dois dias até a sede do município, a fim de disputar partidas de futebol ininterruptas até à noite chegar, espraiando certo congraçamento mútuo entre concorrentes, simbolizando assim uma espécie de "convescote" com música, alimentação, bebidas, medalhas, troféus, tudo bancado pelo "0800" dos impostos, como acontece também nos dias presentes.
Entre os clubes que se apresentaram particularmente dois ficaram na minha torcida e memória, juntamente no agrado popular.
Por questões óbvias, o Botafogo do Matá, que levava o nome de meu clube carioca e o União do Paraná de Baixo, da família Moraes, pelo padrão do uniforme em homenagem ao Fast Clube de Manaus.
Concluindo, a meu sentir, fica patente que a política e o esporte não só à época como em dias atuais, são "gêmeos siameses", umbilicalmente ligados à captação de votos, embora uns mais discretos e outros, exageradamente, às claras.
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