ÓBIDOS 322 ANOS: "ÓBIDOS", poesia de Izarina Tavares

ÓBIDOS 322 ANOS: "ÓBIDOS", poesia de Izarina Tavares

Estamos publicando a poesia “ÓBIDOS”, de Izarina Tavares, em homenagem aos 322 anos de Óbidos, que acontece neste 2 de outubro de 2019. 

ÓBIDOS I

E, tudo aconteceu.

Uma vontade danada de partir,

Uma querência louca de ficar

A Serra da Escama que chamava

Em ondulantes ventos

E o Curuçambá que corria sem cessar.

 

A igreja ao badalar seus sinos me dizia:

- Não deves ir, deves ficar...

Queria poder correr, sumir por teus caminhos

Nos braços dos meus me agasalhar,

Um não querer partir me consumindo,

Um medo de partir, com medo de chorar.

 

Revejo ainda em sonhos a Igreja de Sant'Ana

Teus bancos, teus jardins, barreiras colossais,

O Forte e teus canhões tão seculares,

Tuas ruas e travessas, teus quintais.

 

O antigo "Cuvão"

De onde surgiram prédios

Tudo tão diferente, nem conhecia mais...

O "São José", colégio de minha juventude

Se antes majestoso, hoje galpão se faz.

 

Ao longe o cemitério onde descansam

De teus mais humildes filhos

A nobres ancestrais,

O centro da cidade onde há o burburinho

Da rua Bacuri e do teu cais.

 

Lembro tuas ladeiras, famosas, cansativas

Que tapuias pernas fazem engrossar,

Tuas cunhantãs, belas morenas

Que muitos poetas ousam decantar.

 

"Cidade Presépio",

onde o Curumu veio ficar,

lago do Cuecé, teus gostosos peixes

meu torrão querido

dos tucunarés, dos curimatás.

 

Lembro teu quartel, uma relíquia

Que nossa história sempre vai guardar.

 

Tuas piracemas de jaraquis,

Tuas piracaias, teus tracajás.

 

Dona Maria Tereza ao Mariapixi,

Subir o Nhamundá e os Currais,

Morro de saudade do meu Matapi.

 

Vou envelhecer,

Te esquecer, Jamais...

Por Izarina Tavares

Extraída do  Livro Banzeiro (2003)

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